Fala do Especialista com o Psiquiatra, Dr. Carlos Augusto: depressão na pessoa idosa.

Dr. Carlos Augusto, muito bem-vindo a esta coluna!

O número de idosos (maiores de 60 anos) no Brasil vem aumentando rapidamente, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2011, dos estimados 195,2 milhões de habitantes do País, 22 milhões eram de pessoas com 60 anos ou mais de idade (IBGE, 2012). Projeções apontam que em 2050 esse contingente atingirá 38 milhões de idosos, superando a proporção de jovens na população, por isso a depressão no idoso é um tema tão relevante e que precisa ser abordado, pois é a doença psiquiátrica mais comum nessa faixa etária, e alem de comprometer a qualidade de vida do individuo, funciona como ou gatilho para a evolução de outras doenças. Tornando assim, um grande problema econômico e de saude publica.

No idoso, os sintomas perturbações de sono, humor deprimido, desinteresse por hábitos e/ou prazeres habituais, alterações do apetite, isolamento e comprometimento da memória permanecem negligenciados por erroneamente serem interpretados como comuns da idade. Levando a transtornos mentais sub diagnosticados, atrasando o tratamento de doenças como demência e/ou depressão (doenças psiquiátricas de alta prevalência na população idosa), esses sintomas passam desapercebidos, escondidos atras da falta de um cuidado próximo e uma escuta qualificada. E é por isso que estratégias urgentes são necessárias para que, efeitos de tais doenças ou transtornos sejam minimizados, seja pela supervisão constante de uma equipe multidisciplinar e/ou um acompanhamento medico ambulatorial de qualidade.

Em linhas gerais, as investigações dos aspectos cognitivos afetados com a idade são multifatoriais e variam desde um déficit cognitivo leve, (funções cognitivas preservadas) resultante do envelhecimento fisiológico, até quadro de demências, de etiologias variadas

Já as alterações emocionais advindas do processo de envelhecimento podem contribuir para depressão, e funcionam como fatores de risco. Embora seja possível afirmar que o envelhecimento não ocorre homogeneamente, sendo cada idoso “um ser único”, sua trajetória de vida (eventos de vida, patologias adquiridas, meio social, econômico, cultural), genética e condição atual muitas vezes limitante, colocam o transtorno depressivo maior como o principal transtorno psiquiátrico no idoso.

O sintomas da depressão maior são observados no humor (tristeza, perda de interesse e/ou prazer, crises de choro, variação diurna do humor); em sintomas vegetativos ou somáticos (alterações no sono – insônia ou hipersonia -, no apetite e no peso; perda de libido, obstipação e fadiga); na questão motora (inibição ou retardo, agitação ou inquietação); na questão do relacionamento social (apatia, isolamento, incapacitação para o desempenho das tarefas cotidianas); além de outros comportamentos tais como sentimentos de desesperança, desamparo, ideias de culpa (que podem chegar a delírios de culpa em depressões psicóticas) e de suicídio, indecisão, perda de insight, isto é, do reconhecimento de que está doente.

Para avaliar a depressão, as escalas mais utilizadas são a Escala de Avaliação de Depressão de Hamiltom; Escala de Depressão Abreviada de Zung; Inventário de Beck e Escala de Depressão Geriátrica de Yesavage. No entanto, para a avaliação da depressão em idosos, e os múltiplos fatores que podem conduzir à depressão, atenta-se a singularidade, em relação às características e vivências individuais de cada idoso
Solidão e dificuldades em realizar as atividades de vida diárias (AVD’s) são os fatores mais comuns para o aparecimento de humor depressivo, e são os maiores motivos de institucionalização do publico senior.

Outra questão importante na rotina do idoso é a polifarmacia, muito comum devido à automedicação, acompanhamentos médicos múltiplos e irregulares, e que pode produzir efeitos negativos, gerando efeitos colaterais importantes e descompensando doenças comorbidas. Muitas vezes desnecessárias, o controle desse hábito pela equipe multidisciplinar ou medico responsável pode contribuir para evitar o agravamento de transtornos mentais e melhor controle de patologias previa

Assim, manter um estilo de vida saudável que mantenha ou recupere o bem estar são os principais desafios de uma equipe multiprofissional que trabalha para a qualidade de vida do idoso, ou seja: mesmo avaliando uma condição predisposta a doenças senis (além de dores, medo de queda, alterações da marcha, alterações do equilíbrio corporal, dentre outros),as questões relacionadas ao bem-estar pessoal e a autoestima são imprescindíveis para os idosos, sejam eles independentes ou residentes em Casas de Idosos.

Dr Carlos Augusto Mariquito Filho.
CRM-MG 59921.
@carlosaugustofilho

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